A chuva
Ya mis ojos son barro en la inundación
que crece, decrece, aparece y se va
Bersuit Vergabarat - Vuelos
que crece, decrece, aparece y se va
Bersuit Vergabarat - Vuelos
Em algum momento a chuva começou. Mas era como se nunca tivesse começado. Era como se sempre existisse, como se nunca tivesse caído uma primeira gota. Um tomar conta de tudo, formando poças que crescendo se uniam formando poças maiores que crescendo se uniam formando poças maiores. Tudo num ritmo frenético, que, de constante, parecia parado. Cada gota era a mesma de antes de antes e de depois.
Telhados, muros, terra, calçadas, asfalto, folhas, troncos, galhos, pêlos, pele, couro, carros, postes, poças, lagos, rios, corredeiras sendo açoitados pelas gotas, cada vez mais grossas. Água que escorria, penetrava e encharcava, tornando tudo pesado, mole, frio e escuro.
Fomos embora bem no começo do que sempre nunca existiu. Corríamos para abrigos que não alcançávamos. Tentávamos entrar em casas que não eram nossas. Parávamos sob abrigos que não protegiam. Seguíamos tentando, mas não havia lugar. Então, quase sem perceber, nos separamos. Deixamos para depois.
Quando já trancados, ouvíamos o barulho da chuva, contínuo, se tornando silêncio. Um silêncio separador, como a chuva entre nós. Então não havia mais tempo, nem noite ou dia. Só um intercalar de claro e escuro, ou escuro e mais escuro.
Então esperamos.
Pela janela tudo era cinza e molhado. Só o chão não era cinza. Era marrom do barro roído pelos pingos, pelas corredeiras.
Esperamos.
Chegamos a nos acostumar. Não como o olho se acostuma com a escuridão. Nos acostumamos como se acostuma com a espera, que cada vez sempre parece mais longa, que nunca vai acabar. Nos acostumamos e esperamos.
Nas noites que vieram, no silêncio do barulho sem fim, sonhávamos ouvir vozes.
Sustos.
Nos dias que vieram, ficávamos imaginando se havia alguém lá fora, naquela chuva. Éramos muitos, todos sozinhos.
Sustos.
Continuamos esperando, mas não sabíamos mais o quê.
Agora, lá fora, os pássaros cantam e o sol brilha entre as folhas e as flores. Da terra seca sobe uma leve poeira que brilha e reflete a luz.
Mas a chuva continua, cada vez mais forte.
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Telhados, muros, terra, calçadas, asfalto, folhas, troncos, galhos, pêlos, pele, couro, carros, postes, poças, lagos, rios, corredeiras sendo açoitados pelas gotas, cada vez mais grossas. Água que escorria, penetrava e encharcava, tornando tudo pesado, mole, frio e escuro.
Fomos embora bem no começo do que sempre nunca existiu. Corríamos para abrigos que não alcançávamos. Tentávamos entrar em casas que não eram nossas. Parávamos sob abrigos que não protegiam. Seguíamos tentando, mas não havia lugar. Então, quase sem perceber, nos separamos. Deixamos para depois.
Quando já trancados, ouvíamos o barulho da chuva, contínuo, se tornando silêncio. Um silêncio separador, como a chuva entre nós. Então não havia mais tempo, nem noite ou dia. Só um intercalar de claro e escuro, ou escuro e mais escuro.
Então esperamos.
Pela janela tudo era cinza e molhado. Só o chão não era cinza. Era marrom do barro roído pelos pingos, pelas corredeiras.
Esperamos.
Chegamos a nos acostumar. Não como o olho se acostuma com a escuridão. Nos acostumamos como se acostuma com a espera, que cada vez sempre parece mais longa, que nunca vai acabar. Nos acostumamos e esperamos.
Nas noites que vieram, no silêncio do barulho sem fim, sonhávamos ouvir vozes.
Sustos.
Nos dias que vieram, ficávamos imaginando se havia alguém lá fora, naquela chuva. Éramos muitos, todos sozinhos.
Sustos.
Continuamos esperando, mas não sabíamos mais o quê.
Agora, lá fora, os pássaros cantam e o sol brilha entre as folhas e as flores. Da terra seca sobe uma leve poeira que brilha e reflete a luz.
Mas a chuva continua, cada vez mais forte.
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8 Comments:
Que coisinha triste, e bonita, e gostosa de ler, meu amigo...
Já tinha te perguntado antes pelo msn, mas você não viu (prefiro pensar assim...) ou me ignorou sumariamente e prefiro eu mesma ignorar esse fato e perguntar de novo: teu blog leva esse nome porque você só escreve quando está triste ou só sobre coisas que remetem à tristeza?
Não importa, porque você escreve tão bem que a gente até perdoa o que nem tem pra perdoar!
Beijos e parabéns!
Que coisinha triste, e bonita, e gostosa de ler, meu amigo...
Já tinha te perguntado antes pelo msn, mas você não viu (prefiro pensar assim...) ou me ignorou sumariamente e prefiro eu mesma ignorar esse fato e perguntar de novo: teu blog leva esse nome porque você só escreve quando está triste ou só sobre coisas que remetem à tristeza?
Não importa, porque você escreve tão bem que a gente até perdoa o que nem tem pra perdoar!
Beijos e parabéns!
Muito bom.
Flocos molhados de céu.
eh sempre bom ver pessoas que nao se conformam.
:)inconformismo...
ivaaaaaaaaaannnn amei te encontrar lá... beijokas
ainda chovendo no molhado ivaaaaaaannnnnnnnnnnnnnnnnn
saudades! babe!
muito bom teu texto. parabéns.
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